Lembrando que...

No meu blog há inúmeras imagens, artigos e materiais encontrados na internet.
Caso vc seja o autor de quaisquer materiais, deixe seu recadinho, que lhe darei os devidos créditos.
Sem mais,
Julia Campanucci

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

só ama quem está disposto a ser amado.





POR QUE VOCÊ NÃO ARRUMA NAMORADO?


Você não entende como não começa um relacionamento, 
como não se apaixona novamente, como não muda de vida.

Reclama da ausência de opções. É bonita, inteligente, divertida.

Minha hipótese é que não abandonou o passado.

Mantém flertes com o ex indiferente, ou continua saindo com 
sujeito que jamais assumirá o romance.

Raciocina que, enquanto não vem o escolhido, o príncipe, 
pode se entreter com velhas paixões.

Mas todos pressentem quando uma mulher está enrolada,
todos intuem o caso mal resolvido, e não se aproximam.

Não virá ninguém para espantar os corvos e dissolver 
essa atmosfera pesada de Prometeu.

É trabalho em vão soterrar o precipício. 
Mulher desinteressada é impossível.

Ninguém ousará quebrar o monopólio de sua dor.

Você cheira a encrenca, cheira fidelidade a um terceiro. 
Seus ouvidos estão lentos, sua boca paira em distante 
lugar, seus olhos se distraem seguidamente.

Não tem brilho na pele, porém tensão nos ombros.

Sua respiração é um poço de suspiros.

Vive ansiosa por notícias, por reatos, mensagens. 
Não presta atenção, não se entrega para as casualidades.

Quem enxerga fantasmas não vê os vivos.

Não dá para começar um novo amor sem abandonar os anteriores.
Errada a regra que a gente somente esquece um amor antigo por um novo.

Está com o corpo fechado, costurado, mentindo que
já não sofre mais com as cicatrizes.

Espera herança, não sai para trabalhar ternuras.

Mendiga retornos, não cria memória.

Sua nudez não responde ao pedido da curva. 
Nem balança com a música favorita.

Está tomada do carma, do veneno, do ressentimento.

Pensa que está bem, mas está em luto. Uma mulher em luto não 
permite arrebatamentos, afasta-se na primeira gentileza que receber,
 recusa a prosperidade das pálpebras piscando nos bares e restaurantes.

Você nunca vai encontrar seu namoro, seu casamento, 
sua paz, se não terminar de se arrepender.

É preciso guardar o máximo de ar, ir ao fundo, descer na tristeza
e nadar para longe dela.

Não amará outro alguém sem solucionar pendências, 
sem recusar o homem que não a merece, o homem que
não vai embora e tampouco fica.

Não amará outro alguém sem abandonar algumas horas de alívio em motéis.

Não amará outro alguém se não bloquear as recaídas, 
se insistir em ressuscitar as promessas.

Uma mulher nunca será inteira se mantém romances quebrados.

Nunca estará presente.

Nunca estará aqui.

Entenda, minha amiga, só ama quem está disposta a ser amada.


Publicado no jornal Zero Hora 



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Há que a gente é feliz....

Campanucci, por parte de pai. Zorzan, por parte de mãe. Italiana por ambos e todos os lados... Maluca por força maior, kkk

Os Campanucci´s e os Zorzan´s são completamente opostos. Mas não tenho dúvida de que o lado paterno tem maior peso sobre mim... sou mega parecida com as doideiras do meu pai, as loucuras dos meus tios, a sensibilidade da minha avó e a implicância do meu vô 

Uma vida simples. Pobre até, mas de exageros... exagerados na alimentação, na falação, na gargalhada, nas brigas... em tudo! 

Sou parte desse exagero todo, sou compulsiva 

Não ligo de comprar um sapato da promoção, de usar a mesma bolsa do ultimo verão, mas por favor não exija de mim comer qualquer arroz e feijão. Sou megamente exigente quando o assunto é comida. Gosto de comer e comer bem. Comer pra mim é coisa séria... tem que ter qualidade, tem que ter conforto, variedade, tem que me servir bem... Sou chata, reclamo, cobro mesmo. Minha família e meus amigos que me conhecem bem se matam de rir, porque sou desproposital. É sério! Outro dia comprei um produto e me entregaram errado: cor e design diferente. Tranquilo... é meu e nem ligo! Na mesma semana pedi uma pizza de calabresa, e me entregaram portuguesa... devolvi na hora!!! Sem pestanejar, arranquei o carro da garagem enfrentei dois faróis e fui lá, aguardei 15 min a nova pizza e beleza, voltei com o meu pedido. É claro que eu também caio na gargalhada de lembrar e pensar no peso e contrapeso das minhas ações, mas sei lá eu sou assim... abro mão de muita coisa, mas o x salada se não tiver alface, ahhh vai ter! kkk 

Outro dia fui comer um Self service na churrascaria, achei o máximo quando eu pedi coca com gelo e limão e ele me trouxe uma taça já gelada e fez o preparo na minha mesa, aquele copo branquinho, gelado, todo fresco... fiquei fã. Volto lá pelo copo e nem reclamo do preço... Detalhes tão pequenos de nós dois? Pode ser, mas eu gosto! É meu presente, faço por mim e pra mim, dou-me o que há de melhor quando me sento à mesa... Me viro nos trinta, pago no cartão, faço prestação... tô nem aí... saio feliz e triste de tanto comer... Um paradoxo digno de Julia, é meu jeito Campanucci de ser! 


Amigos já constataram que boa parte da minha vida passo ao redor da mesa
Não erraram... Estão certos:

Ao Redor de qualquer mesa, há muita confidência... 
Há gente jovem reunida, o riso alegre da família
O semblante contente, todo sorridente
Há que a gente é feliz...

























sábado, 14 de setembro de 2013

Sábado



Todo sábado é a mesma coisa. Sentada no velho sofá da sala, com um vestidinho florido, descalça, cabelo preso, desbanco a ilusão. Honestamente tudo parece combinar com a apatia dos finais de semana. Nem penso duas vezes e capturo a premeditada solidão e sem nenhum animo folheio as revistas de moda.

Feito bolacha água e sal, fico entre fazer as unhas pra começar a semana de bom humor e passar aquele novo esfoliante na pele que promete uma cara mais saudável na segunda-feira.

Nesse momento sou a extensão de minha preguiça. Alias, da apatia e nem adianta mencionar meu nome para fazer lavar a louça, arrumar o cabelo e sair para balada. Prefiro ficar por aqui entre um cochilo de saudade e um desânimo que não convoca e nem intimida o meu olhar encolhido nas almofadas amarelas do sofá.

Ainda não é fim de noite, mas o meu desconforto emocional anuncia que passarei inúmeras horas com réstias de solidão. É o carma do sábado de unhas feitas, cabelo escovado, pagamento de contas atrasadas, sorvete na esquina, revistas espalhadas pelo chão e um monte de planos desorganizados na cabeça.

Uma agonia. Um vazio. Uma insistente troca de canais da TV, para substituir o desejo de sair do próprio corpo só para xeretar escondida, o espaço onde você está. Vira e mexe pego o telefone como se fosse um brinquedo.

Procuro motivos, crio um texto explicativo para falar da saudade. Penso melhor, apago isso da mente e o sábado continua o seu trajeto. Fico num desassossego quando descubro que dentro de mim teu lugar é sagrado e garante uma sobrevivência eterna, embora minha boca insista no nunca mais. Sinceramente, acho isso uma porcaria e nem sei se penso assim sempre ou se é apenas um sintoma do sábado.

Poxa vida, foram muitos esforços em trocado do nada, aliás, em troca do sentimento de pertença, sem você me pertencer.

Penso em todos os sábados passados e digo baixinho que ainda não me entendi, mas acho um charme ser estranha, confusa, indefinida, incompleta dentro do caos, procurando os monossílabos e bons motivos para viver os folclóricos sonhos de felicidade.

É sábado. Um bom dia para remoer as lembranças. Amanhã, tudo volta ao normal.
Ita Portugal 


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Meu Gosto musical

Havia em casa uma caixinha azul marinho guardada e zelada com todo carinho pelos meus pais. Nela, fitas cassetes ... me lembro de algumas como se ainda as tivéssemos: Rita Lee, Simone, Milton Nascimento, Bethânia, só pra citar alguns nomes. A caixinha, repleta de canções antigas, me causava grande curiosidade... Mas acreditem, não havia em casa um toca fita, entretanto a caixinha permanecia lá, intacta com a certeza de que um dia seria ouvida lado A e B, com a devida atenção...

Ainda menina, ganhei o famoso 'meu primeiro gradiente' e eu me divertia com K7s da Xuxa, Mara, Angélica, Eliana e, por aí vai ...  Balão Mágico, Sandy e Junior... 

Já adolescente, comecei a gostar de Lulu Santos, uma paixão explosiva por aquela coisa praiana:

Clara como a luz do sol
Clareira luminosa
Nessa escuridão
Bela como a luz da lua 

Estela do oriente
Nesses mares do Sul


Meu pai, ouvia e cantava Fagner e com precisão imitava aquela voz arrastada, carregada, nordestina... e eu amava. Meu pai, ouvia Agepê, aquele único e exclusivo sucesso, que eu mesma seria capaz de cantarolá-lo aqui e agora, se não os desejasse poupá-los...

É sério, que vocês NÃO se lembram? Tá bom, eu faço uma palhinha:

Deixa eu te amar
faz de conta que eu sou 1º
Na beleza desse teu olhar
eu quero estar o tempo inteiro  

Meu pai ouvia Martinho da vila, o famoso batuque na cozinha sinhá não quer e aquela que falava da faculdade: particular, ela é particular sou capaz de ouvi-lo cantando. É, tá na memoria auditiva do meu ser... kkk 

Ahh, e tinha também uma das prediletas do meu pai que era

vendo aquele edifício, moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar


a música era tão triste, que eu chorava no final, sempre!
Retratava a desigualdade social  

Do meu pai herdei esse gosto musical pra Zé Ramalho, Fagner, Belchior... E também, pra esse povo do samba: Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal...

Meu pai e minha mãe ouviam juntos Tim Maia. 
Ouço Tim Maia, Canto Tim Maia, Danço Tim Maia... Tem música do Tim Maia que me toca toda vez, ouço 1000 vezes e lá tô eu com o nó na garganta. Um exemplo?

Já rodei todo esse mundo procurando encontrar
Um amor, um bem profundo que eu pudesse realizar
Os meus sonhos de criança, como todo mundo faz
De formar uma família como era dos meus pais
Mas o tempo foi passando e a coisa mudou
Solidão foi se chegando e se acostumou
Essa tal felicidade, hei de encontrar
Mesmo se eu tiver que aguardar, se eu tiver que esperar
De uma coisa eu não desisto, sou fiel não abro mão
De ter filhos, ter amigos, companheira e irmãos
Se essa vida é bonita, ela é feita pra sonhar
Mais aumenta o meu desejo de afinal te encontrar


Meu pai me apresentou um cantor que, inclusive, faleceu esse ano e pra mim foi uma perda imensa no mundo musical: Emilio Santiago 

Ouço Emilio Santiago desde menina mesmo, tínhamos fitas K7s guardadas com o maior carinho e todas: vol 1, 2, 3 ... Anos depois, quando comprávamos cds, tinhamos que encomendar, pq não era fácil de achar, mas ele era  o 1º da nossa lista... Se alguém não conhece, não sabe o que tá perdendo, uma voz melodiosa e maravilhosa, um grande intérprete da música brasileira... a voz dele casa com tudo: MPB, Samba, Bossa Nova...   

Da minha mãe herdei o lado mais poético da coisa: Simone, Gal Costa, Bethânia, Chico, Caetano, Zizi, Djavan, Adriana Calcanhoto, Milton Nascimento, Elis e por aí vai toda a gama de nomes da MPB 

Passar uma tarde em Itapuã
ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
falar de amor em Itapuã

(Toquinho)

...


Você precisa saber da piscina
Da margarina, da Carolina, da gasolina
Você precisa saber de mim
Baby, baby, eu sei que é assim
(Gal Costa)

Com o Henrique, meu irmão, aprendi a gostar de Rock, passei a conhecer bandas, das mais populares até as mais incomuns... aprendi a gostar de show, aprendi a dançar sem saber dançar, aprendi a ir em festivais, cover's e tudo mais
Com a doida da Camila passei a conhecer coisa nova: Moveis Colonial de Acaju, Teatro Mágico, Matanza, Bidê ou Balde, Ventânia e tem uns outros doidos que a gente canta em coro e acho que nem o próprio cantor  tem a tamanha precisão da letra quanto a gente 
E no decorrer da vida fui apreciando outros gêneros: lembro de ir na casa de uma amiga pra ouvir a coletânea do Fábio Jr (da mãe dela) kkk era muito bom! 
Lembro-me da vez que fui apresentada ao Gabriel Pensador e na época o que fazia sucesso era o tal loira burra (eu achava um lixo) depois disso descobri que o cara era um gênio
No auge dos meus 15 anos o que fazia sucesso era Só Pra Contrariar, Raça Negra, Katinguelê e outros nomes  que sumiram com o tempo mas que na época era um fervo, tocava toda hora em toda e qualquer rádio ... Cheguei a ir no show do KiLoucura no 'Programa Livre com Serginho Groisman' numa excursão do colégio portando apenas 5,00 reais e um sermão dos meus pais, que achavam a verdadeira loucura... morro de saudade dessas doideiras que a gente fazia. Devo essa viagem a meu professor de Geografia e a minha amiga Aline que foram me buscar com o ônibus em casa e bateram o pé: sem vc a gente não vai...    Fui!!! e foi bom d+ faria tudo de novo!
Aos 22 tive um amor amigo que me cantava João e Maria de Chico Buarque, não tenho dúvidas de que foi meu herói, meu rei, o meu brinquedo, meu pião e o meu bicho preferido... Lindo d+, saudade d+!!! 
No meu celular tenho umas 30 músicas da Luciana Mello, ouvi uma das musicas dela na introdução de um filme, e foi assim... de bate e pronto... curto, curto e curto muito
No Computador eu tenho um cara que eu amo, que eu ouço toda e a qualquer hora: Renato Vargas, ele é responsável pela coleção "Um Barzinho e um Violão" tenho toda a coletânea, e quando eu to inspirada, me aguentem - ouço todas, de A a Z ! 
E teve um gato que cantou pra mim: 
O Girassol, do Ira! 
Você é meu sol
Um metro e sessenta e cinco de sol
E quase o ano inteiro
Os dias foram noites
Noites para mim
Como eu sou um girassol
Você é meu sol
e eu enviei a ele 
E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas


do Nando Reis, que eu amo... 
E ele não gosta (descobri isso depois, é claro) 

Hoje no meu carro toca Rita Lee, Leoni, Cazuza, Paralamas, Engenheiros, Ira, capital, Titãs, Skank... Toca de tudo, porque o mundo musical inovou e hoje basta um chip pra você ouvir o que quiser, a hora que quiser  e quantas vezes quiser...

E o meu presente musical pra você é

Lembra de mim (Emilio Santiago)
http://www.youtube.com/watch?v=Qkys_S_VcmU

ouça...




   

domingo, 8 de setembro de 2013

Um medo absurdo de mim mesma





MEDO DE SE APAIXONAR 
Fabrício Carpinejar 

Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.

A Lua e Eu

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Sonhar tá liberado, gente!



"Não vejo problema algum em sentir medo da vida, 
mas sentir medo de sonhar 
é o cúmulo da covardia."


Carpinejar

Ela sabe de "quem" tá falando

  


Segundo minha amiga Judhy 
(merendeira Mor na escola onde eu trabalho) 

Eu sou a nora que toda sogra pede a Deus 

ou "adeus", vá lá saber, kkkkkkkk 

me acabando na gargalhada 
com elas que me aturam o ano inteiro

bj´s






Click




Você pode conhecer vinte caras bonitos e que te entendem

muito bem, dez caras legais que cuidam de você como se

fosse um diamante precioso, uns outros tantos inteligentes,

atraentes, bacanas e engraçados em ordem aleatória

Nenhum deles te encanta. Por que? Falta o tão chamado

click, aquele jeito especial que ninguém explica. Pode ser o

jeito de mexer no cabelo, a forma como ele te olha, que

conversa contigo ou até mesmo um jeito secreto que nem o

profeta mais sábio percebe, mas que está lá, você pode ver

Entre tantos milhares, talvez um ou outro se salve ao filtro do

'jeito', e daí você percebe: é esse que eu quero abraçar e não

largar mais, com quem eu quero me enrolar embaixo de

cobertores e com quem eu quero dividir todos meus

segredos. Baseado no que? Num jeito inexplicável ao resto do

mundo.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Se eu contar...

... Ninguém acredita!




Em casa, sexta - feira a noite:

- Mãe, o que acha de uma pizza?
- Acho bom, mas pede uma doce também
- Beleza! Algum sabor predileto?
- Não, pode escolher!

no telefone:

- Alo
- Alo, é da pizzaria?
- Isso!
- Por favor, 1/2 portuguesa 1/2 atum
- Endereço?
- Antes, deixa eu te perguntar... E doce? tem?
- Temos sim
- Quais?
- Paçoquinha que é com amendoim, prestigio e sonho de valsa
- Legal, como é a de sonho de valsa?
- Ahh, então... é aquele bombom da lácta com embalagem cor de rosa e tem um casal dançando
- (1 min. de silencio)
- moça? moça?! 
- Quero saber a estrutura da pizza, a base é brigadeiro ou só leite condensado e os bombons são picadinhos por cima, é isso?
- Ahh... você fala de pizza doce?
- Claro!
- Ahh não, hoje não vamos ter


Tenho pena, desse mundo que tá emburrecendo mais cedo!

É Cada uma...  é claro que eu conheço sonho de valsa, meu filho! 
Ao nascer minha mãe não me deu o peito, foi logo me dando um bombom e dizendo:
- Chupa isso e sossega, menina! 

Ahhh vá! logo pra cima de moa, aí não dá, né?!

Manda logo a pizza salgada, antes que eu me arrependa

#TolerânciaZero




  

E vc, tem fome de quê?


Li ontem algo mais ou menos assim num livro de psiquiatria (é, eu leio essas coisas)

"Alguém acostumado a almoçar ao meio dia, mas que por alguma razão não o faz terá uma fome imensa as 13 horas. Já as 3 da tarde terá sintomas de fraqueza, dores na cabeça. Às 7 da noite não terá fome e talvez rejeite o jantar, e ainda que alguém insista em fazê-lo se alimentar é bem provável que sinta náusea e mal estar."

Tudo isso para ilustrar o que acontece com o nosso emocional. É preciso respeitar as fases da vida... se pularmos um nível, vamos nos complicar mais adiante, vamos ter desconfortos e teremos um trabalho árduo para mudarmos nossos conceitos

Falo sempre isso à minhas amigas mais jovens... Sou uma péssima conselheira porque penso que compreendo exatamente como se sentem, quando na verdade o que compreendo é o modo como se sentiriam se continuassem a se reprimir ... Mas minhas amigas, não se permitem à isso, se lançam... e mais uma vez torno-me uma péssima conselheira porque peço que sejam cautelosas, cuidadosas, que saibam dosar o tempo da loucura e da lucidez. - Impossível, talvez! 

Eu tinha uns 15 anos, quando tive que lidar com a liberdade das garotas da minha idade, da minha turma... Sim elas ganharam liberdade: saim a noite, frequentavam festas, conheciam pessoas, lugares, garotos, já viajavam sem os pais... Diferente de mim, que não tinha permissão nem de tomar um sorvete na praça. Eu sempre tive a fama de ser teimosa, mas com a sucessão da recusa, cansei. Até mesmo, o maior dos insistentes um dia deixa de bater à porta... Passou a fase, acabou a escola, os amigos de todos os dias, os convites das festas ... É hora de buscar um emprego!

Uma nova fase!
Emprego conquistado, salário desejado, pq não, um namorado?
Mas como é mesmo que se faz? como que se conhece pessoas? como que a gente faz amigos? que hora a gente sai de casa e com quem? 
Lembra?! Eu pulei de fase, não sei de tanta coisa, tanta coisa eu não fiz: não sai pra dançar, não fui a festas... meu sábado e minha segunda feira são iguais, se parecem! A noite e o meu dia, tanto faz!

Aos 30 anos me sinto inabitada dentro do meu próprio ser ... "são 7 horas" e eu já não quero mais comer, não quero convites, não espero que toque o telefone, e quando toca eu passo mal ... Pulei de fase! Tenho fome do sorvete, da praça, dos amigos, da viagem, dos lugares, dos garotos, das festas, de ouvir música e ter um parceiro pra dançar, tenho vontade de viver, mas já não sei como se faz! 



Julia Campanucci


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Aceite a generosidade que lhe dou



Ser amado incomoda. Ser amado é uma droga. Ser amado é uma tortura. Ser amado é o gesto mais árduo da vida do casal - mais difícil do que amar. 

Fica-se com a sensação de que temos que devolver o que recebemos. Não queremos nem abrir a porta para não precisar retornar a visita. Odiamos surpresas que nos põem em falta. Receamos gentilezas que impõem nosso atraso. Detestamos agrados que não foram imaginados antes. 

Excesso de amor intimida, excesso de amor oprime, excesso de amor gera uma competição invisível. 

Somos avarentos por prevenção. 

Somos avarentos para dominar o que sentimos. 

Somos avarentos para evitar a dependência. 

Somos avarentos para não sofrer mais adiante. 

Somos avarentos para não ter que se explicar.

Somos avarentos para não se entregar ao outro.

A avareza é confortável. E previsível

Se alguém dá um presente, surge a miragem de recompensar imediatamente. Pela ideia equivocada de que todo o presente é carente, de que todo o presente pede um irmão gêmeo, de que todo presente reivindica um par para dançar. 

Mas não existe essa obrigação, ela é inventada, a reciprocidade não é automática ou necessária.

O amor é uma corrente que vai e volta, uma eletricidade absolutamente anônima. Assim como cuidado não é favor, tampouco a ternura é uma soma. 

Infelizmente não pretendemos amar para não se comprometer, para não assumir a responsabilidade da troca e do envolvimento. 

A raiz da dúvida é que julgamos não merecer nada, e nos incomoda a generosidade alheia. Mais do que incomoda: parece que é uma cilada, um fiado com juros. 

Preferimos o amor ogro ao amor generoso. 

O problema é que a gente raciocina que seremos cobrados depois, que aquilo que está sendo oferecido não é nosso, é emprestado. Porém, amor não é empréstimo, e sim doação. Amor não é aluguel, não é viver de favor, e sim residência fixa. 

O medo da cobrança estraga o amor, forma paranoia, alimenta desconfianças.

A alegria vira pressão que vira tristeza. E qualquer acontecimento alegre será impregnado de um suspense aflitivo da conta. 

O contentamento não é festejado, logo se torna um fardo, uma preocupação. 

O presente deixa de existir. O que se vê é a angústia da fatura em aberto. 

Pensamos que seremos enganados, traídos. Só esperamos as piores notícias. 

No amor, é necessário ser ingênuo, esperar a boa notícia sempre. 

A boa notícia, sempre. 

Mesmo que ela nunca venha.


Fabrício Carpinejar