
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Arabela

sábado, 30 de abril de 2011
Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
ela surge, no alto da arquibancada
cambaleando na escada
E inicia-se uma espera.
Quanto tempo?
Pouco, bem pouco
e ela me diz: _ surpresa!
Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
alguém pra falar, pra abraçar, pra chorar
e ela vem pra me afagar
E inicia-se um namoro
Quanto tempo?
Pouco, bem pouco
e ele diz que faltou química!
Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
vai dar saudade e vontade de tentar
quem sabe então, outra vez se apaixonar?
E inicia-se uma procura
Por quanto tempo?
Pouco, bem pouco
Afinal, é só teu o meu olhar!
Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
a gente aguarda uma chance de juntar
um tríplice cordão que não irá se arrebentar
E inicia-se uma prece
Por quanto tempo?
Pouco, bem pouco
pois Deus há de escutar!
Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
nós dois juntos,
pra nunca mais se separar...
segunda-feira, 18 de abril de 2011
E o que vem depois...
Dedilhei canções
Escondi tufões
Neguei perdões
Evitei senões
E nessas pegadas
ainda fincadas
em meu caminho,
está o desalinho
de todas as cores
e até dos sabores
que desistimos
de viver juntos.
O tempo que corre
e escorre feito água,
não ameniza a mágoa,
não maquia a falta,
e não te exclui da pauta
dos meus planos,
hoje banhados
em tantos enganos.
Nem a frase mais certa
estancou a ferida, ainda aberta.
Nem o beijo mais quente
saciou esse querer, demente.
Nem o gemido, feito à dois
abrandou a dor, do depois.
(Foto: Robson Bolsoni)
quinta-feira, 31 de março de 2011
Metade
terça-feira, 22 de março de 2011
Pronto!
Ora penso que não
O amor que tanto sonhei,
Ou será só mais uma paixão?
As vezes penso que é você
Outra hora acho que ainda há de aparecer
Sinto que se não for você, não há de ser!
Se não é você, quem haveria de ser?
Mas, seja lá o que for acontecer
Eu tô pronta pra viver!
Julia Campanucci
domingo, 30 de janeiro de 2011
Sou feita de..
Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Precipitada mistura
imiscível
1
no fundo
da nossa inesperada
amizade
há um precipitado
da mistura
excessiva
:
o soluto
abusivo
dessa química
atração.
2
você finge
que não (!)
que não houve
solução
:
que nada foi
químico.
que foi apenas
o tempo.
que tudo tende
ao fim
quando (enfim) o tempo
finda.
3
finda.
mas goteja ainda
o enxudado
de lágrimas
e ácidas palavras
não diluídas
no amargo
da dúvida.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Nem assim eu consegui me livrar dessa paixão...
e não sei porque razão
Eu fugi não fui capaz
de pedir o teu perdão
de pedir o teu perdão
Todo vinho que eu bebi
encharcou meu coração
Nem assim eu consegui
me livrar dessa paixão
Amar é perdoar
Juro que vou ficar, para sempre!
Tanta coisa eu conquistei
Outros corpos mergulhei
Esperando te esquecer
Meu desejo sublimei
Amar é perdoar
Juro que vou ficar, para sempre!
Tatuei meu coração
Tá difícil de apagar
Vem! me pega pela mão
E por favor, me deixa entrar...
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Coisas da Vida
coisas da vida
Se for bem natural
Se for de coração
Além do bem e do mal
Coisas da vida...
O amor enfim
Ficou senhor de mim
E eu fiquei assim
Calado, sem latim,
Coisas da vida...
Como foi que eu cheguei aqui?
Quem me diria que esse era meu fim?
Olho no teu olhar
A festa de estar
De bem com a vida...
O luar girou
A sorte me pegou
Tesouro,
que encontrei sem garimpar
No ouro da paixão
Na febre da paixão
Que estão em mim...
Ser o senhor e ser a presa
É um mistério, a maior beleza
Amor é dom da natureza
Amar é laço que não escraviza...
............
...Ser o que serve e é servido
Só o amor é tão bonito
Ser o que planta e sentar à mesa,
Amor é dom da natureza
Água que limpa e mata a nossa sede,
Sede de viver...
De deixar viver...
De fazer viver...
E de ser feliz!
Se for bem natural
Se for de coração
Além do bem e do mal
Coisas da vida...
domingo, 19 de setembro de 2010
Meu Amor Demasiado...
Vinícius de Moraes
sexta-feira, 21 de maio de 2010
De repente, não mais que de repente...

¨¨¨¨
quarta-feira, 7 de abril de 2010
domingo, 21 de março de 2010
Pra enfeitar a noite do meu bem...
Quero a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ai, como esse bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a pureza que eu quero lhe dar
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
É matemática...
Poesia Matemática
Millôr Fernandes
Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
Texto extraído do livro "Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Guardando
*
Só sei falar de amor
mesmo quando tristeza
mesmo quando cabeça baixa
mesmo quando solidão
*
até parece que guardo
num baú de passados
uma antiga paixão
*
mas... só sei falar de amor
mesmo quando doença
mesmo quando exangue
mesmo quando sem vida
*
até parece que guardo
num baú de sentimentos
uma viva afetação
*
por que só sei falar de amor?
mesmo quando ferrugem
mesmo quando contenda
mesmo quando capenga
*
até parece que guardo
num baú de resguardos
resíduos de reputação
*
eu só sei falar de amor?
mesmo quando inverno
mesmo quando inferno
mesmo quando prisão
*
até parece que guardo
num baú de retratos
a dose mais forte da minha ilusão
*
Germano Xavier
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