Lembrando que...

No meu blog há inúmeras imagens, artigos e materiais encontrados na internet.
Caso vc seja o autor de quaisquer materiais, deixe seu recadinho, que lhe darei os devidos créditos.
Sem mais,
Julia Campanucci
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Arabela


A Flor Amarela


Olha
a janela
da bela
Arabela.

Que flor
é aquela
que Arabela
molha?

É uma flor amarela

...

Cecília Meireles

sábado, 30 de abril de 2011

Depois de tanto tempo sem amor, sem amar





Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
ela surge, no alto da arquibancada
cambaleando na escada


E inicia-se uma espera.
Quanto tempo?


Pouco, bem pouco
e ela me diz: _ surpresa!


Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
alguém pra falar, pra abraçar, pra chorar
e ela vem pra me afagar


E inicia-se um namoro
Quanto tempo?


Pouco, bem pouco
e ele diz que faltou química!


Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
vai dar saudade e vontade de tentar
quem sabe então, outra vez se apaixonar?


E inicia-se uma procura
Por quanto tempo?


Pouco, bem pouco
Afinal, é só teu o meu olhar!


Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
a gente aguarda uma chance de juntar 
um tríplice cordão que não irá se arrebentar


E inicia-se uma prece
Por quanto tempo? 


Pouco, bem pouco
pois Deus há de escutar!


Depois de tanto tempo sem amor, sem amar
nós dois juntos,
pra nunca mais se separar...


Julia Campanucci


segunda-feira, 18 de abril de 2011

E o que vem depois...


                          Depois






















Dedilhei canções
Escondi tufões
Neguei perdões
Evitei senões

E nessas pegadas
ainda fincadas
em meu caminho,
está o desalinho
de todas as cores
e até dos sabores
que desistimos
de viver juntos.

O tempo que corre
e escorre feito água,
não ameniza a mágoa,
não maquia a falta,
e não te exclui da pauta
dos meus planos,
hoje banhados
em tantos enganos.

Nem a frase mais certa
estancou a ferida, ainda aberta.
Nem o beijo mais quente
saciou esse querer, demente.
Nem o gemido, feito à dois
abrandou a dor, do depois.

(Foto: Robson Bolsoni)


quinta-feira, 31 de março de 2011

Metade



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também

Oswaldo Montenegro

terça-feira, 22 de março de 2011

Pronto!


Ora penso que encontrei, 
Ora penso que não
O amor que tanto sonhei, 
Ou será só mais uma paixão?


As vezes penso que é você
Outra hora acho que ainda há de aparecer
Acredito no nosso reencontro com, ou sem nenhuma,
 explicação
As vezes tento crer num novo amor, assim e pronto. Atração.


Sinto que se não for você, não há de ser!
Se não é você, quem haveria de ser?
Mas, seja lá o que for acontecer
Eu tô pronta pra viver!




Julia Campanucci

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sou feita de..



PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
Martha Medeiros

sábado, 15 de janeiro de 2011

Precipitada mistura

imiscível














1

no fundo
da nossa inesperada
amizade

há um precipitado
da mistura
excessiva

:

o soluto
abusivo

dessa química
atração.

2

você finge
que não (!)

que não houve
solução

:

que nada foi
químico.

que foi apenas
o tempo.

que tudo tende
ao fim

quando (enfim) o tempo
finda.

3

finda.
mas goteja ainda

o enxudado
de lágrimas

e ácidas palavras
não diluídas

no amargo
da dúvida.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Nem assim eu consegui me livrar dessa paixão...



Amar É perdoar - fábio jr



Eu esperei tempo demais
e não sei porque razão
Eu fugi não fui capaz
de pedir o teu perdão
de pedir o teu perdão


Todo vinho que eu bebi
encharcou meu coração
Nem assim eu consegui
me livrar dessa paixão


Amar é perdoar
Juro que vou ficar, para sempre!


Tanta coisa eu conquistei
Outros corpos mergulhei
Esperando te esquecer
Meu desejo sublimei


Amar é perdoar
Juro que vou ficar, para sempre! 


Tatuei meu coração
Tá difícil de apagar
Vem! me pega pela mão
E por favor, me deixa entrar...





sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Coisas da Vida

coisas da vida


Nunca é igual
Se for bem natural
Se for de coração
Além do bem e do mal
Coisas da vida...

O amor enfim
Ficou senhor de mim
E eu fiquei assim
Calado, sem latim,
Coisas da vida...

Como foi que eu cheguei aqui?
Quem me diria que esse era meu fim?
Olho no teu olhar
A festa de estar
De bem com a vida...

O luar girou
A sorte me pegou
Tesouro,
que encontrei sem garimpar
No ouro da paixão
Na febre da paixão
Que estão em mim...

Ser o senhor e ser a presa
É um mistério, a maior beleza
Amor é dom da natureza
Amar é laço que não escraviza...

............

...Ser o que serve e é servido
Só o amor é tão bonito
Ser o que planta e sentar à mesa,
Amor é dom da natureza
Água que limpa e mata a nossa sede,
Sede de viver...
De deixar viver...
De fazer viver...
E de ser feliz!
Nunca é igual
Se for bem natural
Se for de coração
Além do bem e do mal
Coisas da vida...


domingo, 19 de setembro de 2010

Meu Amor Demasiado...



Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Vinícius de Moraes
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

De repente, não mais que de repente...




Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes
¨¨¨¨

domingo, 21 de março de 2010

Pra enfeitar a noite do meu bem...



Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
Quero a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje eu quero paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem

Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem

Ai, como esse bem demorou a chegar

Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a pureza que eu quero lhe dar

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

É matemática...

Poesia Matemática

Millôr Fernandes


Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a
almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.


Texto extraído do livro "
Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Guardando

*

Só sei falar de amor

mesmo quando tristeza

mesmo quando cabeça baixa

mesmo quando solidão

*

até parece que guardo

num baú de passados

uma antiga paixão

*

mas... só sei falar de amor

mesmo quando doença

mesmo quando exangue

mesmo quando sem vida

*

até parece que guardo

num baú de sentimentos

uma viva afetação

*

por que só sei falar de amor?

mesmo quando ferrugem

mesmo quando contenda

mesmo quando capenga

*

até parece que guardo

num baú de resguardos

resíduos de reputação

*

eu só sei falar de amor?

mesmo quando inverno

mesmo quando inferno

mesmo quando prisão

*

até parece que guardo

num baú de retratos

a dose mais forte da minha ilusão

*

Germano Xavier

Blog:

http://clubedecarteado.blogspot.com/